Primeiro dia: A Expedição visita a FLONA – Floresta Estadual do Palmito. Fomos recebidos pelo Aneuri, gerente da unidade e funcionário do IAP. A apenas 18 quilômetros de Pontal do Paraná (Paranaguá), pela BR-277, está a Floresta Estadual do Palmito, com área de 530 hectares. O local possui uma trilha de 400 metros para interpretação e educação ambiental. A floresta abriga um dos maiores remanescentes de diferentes espécies de palmeiras que compõe o bioma da mata atlântica. É um centro de pesquisa e difusão de tecnologia para preservação da espécie, aliado a possibilidade da prática do ecoturismo. A vegetação da Floresta Estadual do Palmito é composta de floresta ombrófila densa de terras baixas, restingas e mangues. As espécies mais representativas que compõe sua flora são guanandi, palmito jussara (espécie nativa), massaranduba, figueira e jerivá.


Segundo dia: Saída de lanchas voadeiras as 09:00 com destino a RPPN Sebuí, uma reserva particular belíssima, presenteada pela natureza com oito cachoeiras e um rio, o Rio Sebuí. Floresta Ombrófila em excelente estado de conservação, com trilhas sobre manguezal e em área de mata. Lá podemos observar local de ocorrência do jacaré de papo amarelo. Foi possível visualizar uma jararacuçu de três metros, ao lado da trilha tomando um banho de sol. Em ponto mais elevado da trilha, avista-se boa parte da estação ecológica de Guaraqueçaba e da ilha da Peças, além do porto e algumas casas de Paranaguá. A cachoeira, da foto abaixo, chamada de misteriosa, apresenta profundidade de 15 metros, com águas cristalinas e a mata do entorno em excelente estado de conservação. A caminhada nas trilhas de Sebui apresenta um esforço médio, e possui aproximadamente 7 km.

Terceiro dia: RPPN Salto Morato, reserva particular pertencente à Fundação O Boticário de Proteção a Natureza, localizada a 16 km de Guaraqueçaba, com acesso por estrada de terra. Fomos recebidos pelo assistente da Gerente da Reserva, Lucas que apresentou uma palestra sobre a criação da reserva. Após a palestra, nos guiou pela trilha interpretativa do salto, apresentando os diferentes estágios sucessionais de regeneração da vegetação, assim como características da vegetação encontrada na reserva. O local, no passado, foi utilizado para criação de búfalos, segundo informações fornecidas. Em seguida pegamos a trilha da figueira, árvore que lança sua raiz a 6 metros em direção à outra margem do rio, onde se encontra fincada suas outras raízes, formando uma figura que lembra uma ponte. Esse exemplar com essa característica particular, só pode ser visto em dois lugares no mundo, sendo um na reserva Salto Morato e outro na África. A caminhada até a figueira requer um malabarismo dos participantes, pois todos têm que passar numa falsa baiana sobre o Rio da Figueira.


Quarto dia: Fomos surpreendidos por um vento de sul muito forte, o que por motivo de segurança, nos obrigou a cancelar a ida na Ilha do Mel. Optamos por ficar na ilha da Peças. O nome desta ilha está relacionado com a escravatura no Brasil. Os negros procedentes da África eram soltos na ilha, como se fosse uma quarentena, e os mesmos eram tratados como peças, daí o nome. Lá visitamos a baía onde os caiçaras acreditam ser o berçário dos golfinhos da baía de Guaraqueçaba. As fêmeas dos golfinhos cuidam de seus filhotes até completarem 07 meses. Os golfinhos machos tendem a matar os filhotes para poderem se acasalar novamente. Fizemos uma trilha no mangue, onde foi possível ver o papagaio da cara roxa e um sambaqui de mais de 3 mil anos. Recebemos informações sobre varias espécies de fauna e flora da ilha, passadas pelo nosso guia local Renato. Também tivemos a oportunidade de subir num dos três faróis abandonados da ilha, usado hoje para observação de pássaros. A ilha das Peças faz parte do Parque Nacional de Superagui. Almoçamos com os pescadores na cozinha comunitária, projeto com mais de dez anos que além de gerar renda, veio fortalecer a comunidade caiçara da Ilha das peças. A noite tivemos uma palestra com a Ana Saupi, Gerente da APA de Guaraqueçaba.


Quinto dia: Novamente partimos de barco para a comunidade de Superagui, que se localiza numa ponta de barra, dentro da ilha do Parque Nacional de Superagui, mas fora do zoneamento do parque. O tempo ainda com muito vento do sul, porém não o suficiente para impedir nossa ida a ilha. Fomos recebidos pelo Marcelo, gerente da unidade, que nos fez uma breve apresentação do PARNA, e nos guiou pela trilha de aproximadamente 6 km até a praia deserta, que tem 36 km desde a ponta na barra, ate o canal que separa a PARNA da ilha do Parque Estadual Cardoso, no estado de São Paulo. Durante a trilha, nos informou sobre a fisionomia do parque, além de peculiaridades da comunidade de Superagui. Almoçamos num dos restaurantes de nativos filiados a COOPERGUARA, cooperativa de turismo comunitário localizada na APA de Guaraqueçaba. A noite tivemos uma palestra com o Prof. Marcos Santos, especialista em golfinhos, que desmistificou as lendas dos pescadores locais sobre os golfinhos. Seu trabalho com golfinhos começou em 86, a princípio na região de Cananéia(SP), e recentemente na baía de Guaraqueçaba.


Sexto dia: Durante a manhã a turma ficou com o tempo livre, para recuperar o fôlego dos acontecimentos e caminhadas dos dias anteriores. Alguns se aventuraram na trilha do Quitumbê, morro atrás da igreja em Guaraqueçaba, que tem um visual do pôr do sol maravilhoso. Outros ficaram descansando na piscina do hotel. A tarde por volta das 15:00 tivemos uma palestra com a Prof. Anselma Lepertosa, Coordenadora do GBV em Belo Horizonte, sobre Vegetação da Mata Atlântica, e logo após uma palestra com o diretor executivo do GBV, Wanderley Jorge Junior (Gestor Ambiental e Pós-Graduado em Educação Ambiental pela UFJF) sobre "O mito da natureza intocada, natureza protegida em Guaraqueçaba: conflitos e ambiguidades". As palestras aconteceram no espaço gentilmente cedido pela Cooperguara - Cooperativa de Ecoturismo de Guaraqueçaba (www.visiteguaraquecaba.com.br). Fomos ainda visitar o artesanato local e ver uma apresentação de fandango, dança típica dos caiçaras, na casa do fandango, fechando a noite com chave de ouro.


Sétimo dia: Esse dia é especial, seguimos de Guaraqueçaba para Morretes, para apreciar a deliciosa comida típica da região, o Barreado: carne cozida durante três dias em panela de barro vedada, seguido de camarão, peixe e mexilhões. De sobremesa, banana flambada. Após o almoço uma volta para conhecer um pouco da cidade histórica de Morretes. Depois finalmente embarcamos no passeio de trem de tirar o fôlego, que proporciona uma visão privilegiada da beleza exuberante da Mata Atlântica. O Grupo Brasil Verde tem uma parceria com a Serra Verde Express, operadora dos trens de passageiros. Saímos de Morretes a uma altitude de 10 metros para alcançarmos o ponto máximo, próximo de Curitiba a 953 metros de altitude depois de passar por pontes, viadutos e 13 túneis bem no meio da Mata Atlântica preservada. A viagem leva três horas, pois a velocidade media do trem é de 30 km hora, possibilitando fotografias belíssimas e paisagens maravilhosas. Chegamos em Curitiba por volta de 18:00 na estação rodoferroviária, onde nosso transporte para o hotel nos aguarda. A chegada ao Curitiba Ecohostel Internacional por volta de 19:00 horas é outra surpresa, pois o mesmo tem um apelo ecológico e está localizado no meio de um bosque de 8000 m2, numa das áreas mais nobres e mais florestadas de Curitiba. O dia termina com um banho de piscina aquecida.


Oitavo dia: Depois um delicioso café da manhã, partimos para Ponta Grossa, onde está localizado o Parque Estadual de Vila Velha. Fomos mais uma vez recebidos pelo IAP – Instituto Ambiental do Paraná. Após uma palestra sobre a criação e funcionamento do parque, partimos para conhecer os monumentos naturais com formações que lembram camelos, índios, primatas e o mais conhecido deles no mundo inteiro, a Taça. De lá seguimos para as furnas, buracos formados pelo desabamento do terreno sobre o lençol freático. Visitamos a furna 01, que apresenta no seu interior ninhos de reprodução de anduriões. Possui 50 metros de diâmetros por 120 metros de profundidade, sendo 40 a 60 metros fora da água e 40 e 60 metros abaixo d água. Visitamos ainda a Lagoa Dourada, que é na verdade uma furna mais antiga, que foi assoreada e em dias de sol, em posição satisfatória apresenta uma coloração cor de ouro. Retornamos a Curitiba e ainda visitamos o Jardim Botânico e o herbário de Curitiba.


Nono e último dia: Nesse dia visitamos o bairro de tradição italiana Santa Felicidade. Depois nos dirigimos ao Museu de Historia Natural Capão da Imbuia, onde somos recebidos pelos pesquisadores e nos é mostrado a coleção de passeriformes, mamíferos e insetos guardados por esta instituição, além de fazermos uma trilha em mata de araucária bem preservada. Logo após fomos para Shopping Estação onde esta localizado a Estação Natureza da FUNDAÇÃO O BOTICARIO DE PROTEÇÃO A NATUREZA. Lá somos recebidos e passamos por palestras e interatividades relacionados a conservação da natureza. O curso termina ao voltarmos para o hotel e brindarmos os participantes com o certificado emitido pelo Grupo Brasil Verde.

Prepare-se e agende-se para a próxima expedição: 14 a 25 de janeiro de 2010, grandes emoções os esperam, seja mais um a participar e dar sua contribuição para Conservação da Natureza!